A violência contra a mulher em tempos de pandêmia

O Brasil registrou um aumento de 17% nas denúncias de violência doméstica durante o isolamento social



Em meados de março, enquanto o mundo inteiro estava concentrado na pandemia que ia tomando cada vez mais espaço, trazendo junto o medo e a incerteza, a ativista chinesa Guo Jing falou à BBC que após o início do isolamento social, para prevenir a infecção por coronavírus, na China, mais mulheres noticiaram casos de violência que sofreram ou presenciaram.


Diante da situação, criaram a hashtag #AntiDomesticViolenceDuringEpidemic (#ContraViolênciaDomésticaDuranteEpidemia). Me lembro perfeitamente ao ver essa notícia no dia 14 de março e pensar “quando, de fato, as pessoas passarem a cumprir o isolamento social no Brasil, como será?”


Toda essa preocupação se dá diante dos números alarmantes que nosso país carrega no que concerne à violência doméstica. De acordo com os dados apurados pela Katru Assessoria em Informação com base em dados do Censo SUAS, em 2018 foram registrados 4.451 feminicídios e 220 mil notificações de violência no país para apenas 2 mil vagas em casas de proteção (veja aqui o radar da proteção). São 9 mulheres vítimas de agressão física, por minuto. Como seria com as famílias trancafiadas em casa?


Esses questionamentos logo tiveram suas respostas e as respostas que temíamos. Menos de 1 mês depois, as notícias no aumento da violência doméstica durante a quarentena no Brasil começaram a surgir. E só vem aumentando.


Estadão, 20 março de 2020.


R7, abril de 2020.


Ficar em casa é sinônimo de proteção: não para as mulheres vítimas de violências


A Organização Mundial da Saúde recomendou permanecer em casa para que possamos nos proteger da contaminação do coronavírus, porém, segundo a ONU mulheres e o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, nas últimas semanas aconteceu um aumento de 17% no registro de denúncias pelo “Disque 180”.


Esse é o nosso retrato atual, o que já acontecia tomando proporções ainda maiores por conta do isolamento social. Além da denúncia, as mulheres precisam de lares seguros, para a fuga de sua família do novo coronavírus e de seu agressor. A casa parceira da BE, em Curitiba, continua funcionando 24h ininterruptamente, afinal, as mulheres continuam precisando de proteção – agora, mais do que nunca.


Para atestar os dados informados, já foram recebidas famílias, durante a quarentena, que foram vítimas de violência doméstica e precisaram fazer a escolha de deixar tudo pra trás com a incerteza de como seria seu próximo dia, para fugir do lar conturbado e agressivo em que se encontravam.


Principalmente neste momento, há muitos desafios a serem enfrentados. A adaptação das casas de proteção para receber as mulheres e seus filhos neste delicado momento que o mundo está passando e o olhar para a importância de termos mais casas de proteção para quem nenhuma mulher precise continuar encarcerada dentro de seu próprio lar.


A hashtag #IsoladasSimSozinhasNão nunca fez tanto sentido. Não deixe de denunciar, disque 180 e não tenha medo. Você será acolhida e protegida onde quer que esteja! Estamos juntas! #FiqueEmCasa


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